O protagonismo das mulheres operárias e as lutas sindicais na cidade de São Paulo

Nessa edição do “Vamos Conversar”  a pesquisa foi feita no CEDOC (Centro de Documentação do Museu da Cidade de São Paulo) acervo onde encontram-se os registros que estruturaram a exposição fotográfica: “A Participação da Mulher na Sociedade Brasileira”, que ocorreu de 8 de março até 8 de abril de 1985, na Praça da Sé.

A mesma exposição resultou na publicação do livro “A participação da mulher na sociedade brasileira” (1987), que foi estruturado através da cronologia histórica de intervenções da mulher na sociedade nacional,  pela reivindicações dos seus direitos, no final do século XIX até 1984.
A pesquisa é embasada na documentação da exposição, assim como, no livro: A participação da mulher na sociedade brasileira, 1985 – 1987 e na revista: Mulher trabalhadora, 1986. Documentos que versam sobre a presença das mulheres operárias e suas lutas por direitos na cidade de São Paulo.

Vamos conversar?

No início do Século XX, as mulheres, que compunham uma parte considerável da mão de obra fabril, no setor têxtil, tiveram um protagonismo essencial nas greves de 1917 e na primeira greve geral no mesmo ano e suas lutas sindicais por melhores salários, fim do trabalho infantil e  por pautas específicas de gênero para equidade salarial, fim do assédio moral e sexual, e condições de trabalho mais dignas. Apesar de sua participação ativa nas paralisações, as trabalhadoras enfrentavam resistência e invisibilidade dentro do próprio movimento operário, dominado por homens, por isso era associando a luta de classes à luta pela emancipação feminina, numa época na qual os direitos trabalhistas e direitos de voto feminino ainda não existiam.

Por Layla Bucaretchi, educadora do Museu da Cidade de São Paulo.