SOBRE O MCSP

O Museu da Cidade de São Paulo, vinculado ao Departamento dos Museus Municipais da Secretaria Municipal da Cultura, configura-se como um museu de cidade que nos coloca frente ao desafio de tratar como acervo operacional uma cidade-capital e sede da Região Metropolitana de São Paulo. Uma das capitais globais, São Paulo é a hoje a maior cidade do planeta abaixo da linha do Equador e, em função disso, tudo nela é grandioso e complexo.

Em sua organização espacial, a cidade é o resultado de um modelo de expansão urbana por espraiamento em direção às bordas e à formação núcleos urbanos cada vez mais distantes do centro administrativo. Por um lado, se esse modelo expansionista levou à disparidade centro-periferia e à formação de ilhas de prosperidade contrastando com bolsões de pobreza, por outro, transformou São Paulo em um território dotado de múltiplas centralidades, marcado por singularidades e por uma profusão de manifestações culturais e expressões urbanas.

São atribuições próprias do Museu da Cidade de São Paulo promover a reflexão contínua das dinâmicas de construção da cidade física e simbólica, retratar sua diversidade cultural e registrar a memória de sua população. Nessa perspectiva, para além do seu acervo institucional (intramuros), a própria cidade deve ser tratada como acervo operacional (extramuros). Enquanto o primeiro faz referência à cidade, o segundo, mais rico e complexo, possibilita o entendimento da cidade a partir de suas mais diferentes formas.

Essa premissa está presente desde a sua concepção, que remonta à criação por Mario de Andrade do Departamento Municipal de Cultura (1935), vindo a se consolidar como Divisão de Iconografia e Museus ligada ao Departamento do Patrimônio Histórico para, em 2018, vincular-se ao Departamento dos Museus Municipais.

Sua estrutura física é formada por uma rede de casas históricas, construídas entre os séculos 17 ao 20 e distribuídas nas várias regiões da cidade que representam remanescentes da ocupação da área rural e urbana da Cidade de São Paulo. São elas: Beco do Pinto, Casa da Imagem, Capela do Morumbi, Casa Bandeirante, Casa do Grito, Casa Modernista, Casa do Tatuapé, Casa do Sítio da Ressaca, Casa Sertanista, Chácara Lane, Cripta Imperial, Sítio Morrinhos e Solar da Marquesa de Santos. Ainda, por conta das obras de requalificação predial e seu fechamento temporário para o público, administra o Museu das Culturas Brasileiras no Parque do Ibirapuera.

Ao longo de décadas e a partir de diferentes configurações administrativas, sob distintas gestões e abordagens preservacionistas, o Museu da Cidade de São Paulo reuniu um expressivo acervo institucional intramuros, composto por cinco tipologias:

  1. arquitetônico;
  2. fotográfico;
  3. bens móveis;
  4. história oral;
  5. documental.

Esses acervos permitem, por meio de pesquisas, seleções e exposições museológicas, as necessárias reflexões sobre o passado, as discussões sobre o presente e as projeções dos possíveis futuros, segundo os anseios dos diferentes sujeitos culturais que operam sobre a cidade.

Esse compromisso com o seu território está explicitado na definição da missão do Museu da Cidade de São Paulo: “gerar, sistematizar e socializar o (re)conhecimento sobre a cidade de São Paulo, fomentando a reflexão e a conscientização de seus habitantes e visitantes, visando a transformação e o desenvolvimento da sociedade”.