NOSSOS ACERVOS

São atribuições próprias do Museu da Cidade de São Paulo promover a reflexão contínua das dinâmicas de construção da cidade física e simbólica, retratar sua diversidade cultural e registrar a memória de sua população. Nessa perspectiva, além da própria cidade ser compreendida como seu principal acervo operacional, o Museu possui ainda sete tipologias de acervos, que devem servir de base para estudos, produção de conhecimento e difusão sobre a cidade de São Paulo, seus habitantes e as interações destes com o território. São eles:

ARQUITETÔNICO

Composto por 13 edificações e um logradouro históricos distribuídos em diferentes regiões do município. Essas edificações são compreendidas como elos de uma grande coleção de arquitetura, onde seus locais remetem a diferentes etapas da formação do território e das construções paulistanas, em uma trajetória que vai do século 17 ao século 20. 

A criação desse acervo está intimamente ligada ao IV Centenário da cidade de São Paulo, ocorrido em 1954 com o restauro da Casa do Butantã (antigamente nomeada Casa do Bandeirante), e consequente abertura para visitação no ano de 1955. Sua construção remonta ao fim do século 17, tendo como técnica construtiva a taipa de pilão e pau-a-pique, com cobertura em quatro águas.  Em sequência, foram recuperados outros imóveis de mesma tipologia construtiva, como a Casa do Caxingui (antiga Casa do Sertanista)e a Casa do Grito. Essa herança composta pelos quatro artefatos histórico-arquitetônicos veio acompanhada por exposições e acervos que se encontravam em alguns desses imóveis: o cenário bandeirante, inaugurado em 1955; o cenário tropeiro, montado em 1958, para a Casa do Grito; e a mostra devotada ao ciclo do ouro e cultura indígenas, aberta ao público em 1970, na Casa do Sertanista. 

Posteriormente, já na década de 1980 passam a incorporar a rede de edificações históricas a Casa do Tatuapé; a Capela do Morumbi e o Sítio da Ressaca. Também faz parte da rede de casas e espaços históricos do Museu da Cidade de São Paulo o Solar da Marquesa de Santos, estrutura construída por volta da segunda metade do século 18 em taipa de pilão e residência de Domitila de Castro Canto e Melo, moradora que dá nome à edificação. Posteriormente teve outros usos como sede da Mitra Diocesana, Companhia de Gás de São Paulo e Secretaria Municipal de Cultura. Junto ao Solar, na região central, também estão agregados a Casa Nº 1 e o Beco do Pinto. A primeira se constitui num chalé urbano construído da segunda metade do século 19 e que recebeu esta denominação por ter sido construído na antiga rua do Carmo nº 1. Já o Beco é um logradouro histórico situado entre o Solar da Marquesa e a Casa nº 1 e fazia a ligação entre a rua do Carmo (hoje Roberto Simonsen) e a várzea do rio Tamanduateí.

Por fim, compõem essa estrutura polinucleada as casas do Sítio Morrinhos; a Chácara Lane; a Cripta Imperial, onde estão sepultados os restos mortais de D. Pedro I e das imperatrizes Maria Leopoldina e Amélia Augusta e a Casa Modernista.

Seguem abaixo os endereços e histórico dessas unidades que formam o acervo arquitetônico do Museu (clique sobre o nome de cada uma delas para acessar).

1.Beco do Pinto
2.Capela do Morumbi
3.Casa da Imagem
4.Casa do Butantã
5.Casa do Caxingui
6.Casa do Grito
7.Casa do Sítio da Ressaca
8.Casa do Tatuapé
9.Casa Modernista
10.Chácara Lane
11.Cripta Imperial
12.Sítio Morrinhos
13.Solar da Marquesa de Santos

BENS MÓVEIS HISTÓRICOS

Reúne cerca de 800 peças entre móveis, utensílios domésticos, ferramentas, objetos de uso pessoal e peças sacras, de diversos suportes como: madeira, couro, barro, porcelana, tecido, fibra vegetal, vidro, papel e metal. Sua origem está relacionada às atividades de comemoração do IV Centenário da Cidade de São Paulo (1954). Nessa ocasião, a Comissão responsável por essa efeméride promoveu o recolhimento de móveis e alfaias em regiões do interior de São Paulo e Minas Gerais, com intuito de compor a expografia de imóveis rurais de taipa remanescentes dos séculos 17, 18 e 19, como a Casa do Butantã, Casa do Caxingui e a Casa do Grito. Esses imóveis foram restaurados com a finalidade de reconstituir o ambiente de um possível sítio paulista setecentista. Ao longo do tempo, novas aquisições foram incorporadas a este acervo, configurando uma ampliação no seu escopo original. Atualmente estão caracterizadas as seguintes coleções:

a. Coleção IV Centenário: composta por peças coletadas, consideradas representativas da vida rural paulista pela comissão do IV Centenário, conforme descritivo acima.

b. Coleção Imperial: formada a partir de objetos litúrgicos, comendas e adereços, provenientes da Cripta Imperial, quecomeçou a ser construída em 1953 no interior do Monumento à Independência. A construção da cripta foi feita para receber o depósito dos despojos da Imperatriz Leopoldina, em 1954, e posteriormente de D. Pedro I, em 1972.  Posteriormente, em 1984, chegaram os restos mortais de D. Amélia, segunda Imperatriz do Brasil. Em 2012, com a abertura dessas urnas funerárias, para o desenvolvimento de pesquisas, foi possível identificar e coletar um par de brincos de estrutura simples, além de comendas portuguesas. Esses e outros objetos remanescentes são patrimônios arqueológicos e estão submetidos à legislação específica. São considerados pertencentes ao patrimônio cultural da União e estão atualmente sob a guarda do Museu da Cidade de São Paulo.

c. Coleção Patrimônio Funcional: formada a partir de doações de secretarias e autarquias públicas da Prefeitura Municipal de São Paulo, formado basicamente por mobiliários funcionais (armários, estantes, mesas de escritórios, cadeiras) e equipamentos (máquinas de escrever, relógios de ponto, dentre outros). Considera-se que essa coleção não possui vinculação intrínseca à missão do Museu e, portanto, seu crescimento não será estimulado.

d. Coleção de Artes Decorativas: composta por objetos funcionais decorativos e ornamentados (jarros, tapetes, bibelôs, caixas de joias, compoteiras, dentre outros).

FOTOGRÁFICO

Registra a transformação urbana de São Paulo desde 1860 e as obras públicas executadas pela prefeitura no século passado. Também revela aspectos sócio-antropológicos e culturais da cidade.  Foi formado a partir da criação do Departamento Municipal de Cultura, em 1935, por Mário de Andrade e complementado nas últimas décadas por outros registros fotográficos. Esse acervo é constituído pelas seguintes coleções:

a. Coleção Original / Fábio Prado: Teve início com um conjunto de aproximadamente 2000 imagens fotográficas do centro antigo da cidade datadas de 1860 a 1920. O suporte dessas imagens são negativos fotográficos em vidro emulsionado, em diversos tamanhos, como: 18x24cm; 13x18cm; etc.

b. Coleção Departamento de Cultura: Simultaneamente a esse conjunto de fotografias mais antigas, somaram-se a esse acervo a produção fotográfica que documentava as atividades e projetos do Departamento de Cultura e da própria prefeitura, como: parques infantis; construção do Estádio do Pacaembu e da Biblioteca Mário de Andrade, abertura da Avenida Nove de Julho, retificação do Rio Tietê, construção de pontes, viadutos e complexos viários entre outros. São aproximadamente 20.000 imagens subdivididas nas seguintes séries:

  • Série Becherini: produzida pelo estúdio da família de mesmo nome, retrata a cidade no período de 1910 a 1950.
  • Série Ivo Justino: documenta obras realizadas na cidade entre 1966 até 1971.
  • Série Aristodemo Becherini: A coleção compreende 2.254 negativos que complementam as coleções sobre o centro histórico de São Paulo.
  • Série Marília Azevedo: imagens produzidas pelo fotógrafo Guilherme Gaensly no início do século passado, com especial atenção para a tipologia dessas imagens originais em fototipia.
  • Série BJ Duarte: imagens produzidas a partir das atividades realizadas pelo Departamento de Cultura, a pedido do seu Diretor Mário de Andrade. Vale um destaque para a documentação dos Parques Infantis e as transformações nas vidas da cidade.
  • Série Ribeiro Franco: Imagens da construção da Biblioteca Mário de Andrade, cedidas pela construtora Ribeiro Franco.
  • Série EMURB: Composta por imagens do Edifício Martinelli, as imagens foram emprestadas ao Museu em 1977.
  • Série Barreto do Amaral: imagens do centro de São Paulo, composta também por cartões postais de Guilherme Gaensly e Prugner. Tem origem nos originais cedidos por Barreto do Amaral em 1978.
  • Série Cia Várzea do Carmo: Originais doados pela Divisão Técnica de Medicina Veterinária e Manejo da Fauna Silvestre da Prefeitura Municipal de São Paulo (Depave) em 1978. Retratam especificamente a Várzea do Carmo, Parque Dom Pedro, e Rio Tamanduateí.
  • Série Eugênio Marcondes de Moura: imagens de retratos de famílias de fazendeiros do Vale do Paraíba. Compreendem registros referentes a senzalas e colônias em São Manoel, São João da Boa Vista, Corumbateí entre outras. Traz também anúncios de jornais de Campinas sobre a fuga de escravos.
  • Série Ricardo Azevedo: imagens da Residência do Sr. Eugênio do Val situada na Rua Albuquerque Lins e Av. Angélica.
  • Série Geraldo Sesso Jr: composta por imagens referentes ao centro da cidade em meados do século XXI, em especial as vias: Ladeira do Carmo, Caminho da Luz e Caminho da Penha.
  • Série Adrion Plazzolles Gonzales: retratos de mulheres e crianças, predominando cartas e cartões postais trocados entre membros da família de A. P. Gonzales. Trabalhos assinados por Valério Vieira, Rodolfo Neahaus, Hermann Welish e Rizzo.
  • Série Álvaro de Oliveira Valle: imagens que retratam a Revolução de 1924 na região da Mooca.
  • Série Arquivo Light: imagens que retratam os bairros de Santa Cecília e Vila Buarque, tendo como fotógrafos Militão de Augusto Azevedo e Guilherme Gaensly.
  • Série Instituto Mackenzie: imagens reproduzidas do álbum de Guilherme Gaensly sobre São Paulo.
  • Série Otávio R Nóbrega: imagens reproduzidas a partir de duas publicações: “A polícia militar de São Paulo: Gabinete de Investigações” e Relatório de 1934: Gabinete de Investigações”.

c. Coleção Divisão de Iconografia e Museus – DIM : A partir da década de 1980, a antiga DIM, estrutura antecessora do Museu da Cidade de São Paulo,  retoma o projeto de documentação das transformações da cidade, por meio da captação de imagens sistematizadas. As séries fotográficas listadas abaixo foram produzidas ou incorporadas ao acervo, a partir da compreensão da cidade como território e suas transformações sociais, arquitetônicas e urbanísticas.

  • Série Vacily Volkov: imagens que retratam campanhas políticas de 1950 e 1960, mas possui também imagens da cidade de São Paulo.
  • Série Nair Benedicto: Formada por 30 imagens da fotógrafa, que trazem à tona momentos vividos pelos movimentos operários, a ditadura militar, os meninos em situação de rua, dentre outros. Imagens do cotidiano da cidade.
  • Série DIM: compreende no registro de imagens cidade de São Paulo na década de 1990, realizadas pelos fotógrafos: Márcia Alves, Cláudia Alcoker, Maria Luiza Martinelli, José Reiche Bujardão, tendo diferentes temáticas das quais se destacam os seguintes projetos: etnias/imigração; mulheres; presença indígena na cidade; movimentos sociais; monumentos e ruas do centro; eventos institucionais; habitação na cidade, dentre outros.

d. Coleção Museu da Cidade de São Paulo: A partir da institucionalização do Museu, em substituição da antiga Divisão de Iconografia e Museus (DIM), foi estabelecido um projeto de expedições periódicas na cidade. Essa concepção reverberou na série abaixo:

  • Série Expedição São Paulo 450 anos: uma viagem pela metrópole por meio de fotos que documentaram a Expedição realizada em janeiro de 2004 em comemoração aos 450 anos do município.. Na oportunidade dois grupos percorreram a cidade, durante uma semana, nos eixos Leste/Oeste e Norte/Sul pelo Museu da Cidade de São Paulo, com a participação de pesquisadores das áreas de museologia, antropologia, sociologia, fotografia, saúde, educação, geografia, etnomusicologia, história, meio ambiente, arquitetura, arqueologia, artes plástica, arte educação.Foram produzidos relatórios de observação e imagnes dos bairros e habitantes por onde a expedição circulou.

e. Coleção Casa da Imagem: A partir do ano de 2013, o acervo do Museu da Cidade de São Paulo, começa a receber fotografias contemporâneas, de fotógrafos como Juca Martins, Cristiano Mascaro, Carlos Moreira, Cristiano Mascaro, German Lorca, Edu Marin, Felipe Bertarelli, Marcelo Zocchio,  entre outros. Os fotógrafos citados retratam a cidade de São Paulo, utilizando como pano de fundo para cenários contemporâneos.

HISTÓRIA ORAL

Reúne 574 fitas cassetes originais produzidas por meio de entrevistas nas “oficinas de memória”, entre o final da década de 1970 até o início dos anos 2000, visando preservar e valorizar a história da cidade e de seus habitantes. A formação desse acervo reconhece que todos os cidadãos paulistanos produzem cultura e que cada um tem uma forma diferente de se expressar,  permitindo que uma visão mais ampla do processo histórico-cultural do território.

Recentemente o museu foi contemplado no Edital ProAC – Preservação de Acervos (2016), da Secretaria de Estado de Cultura de São Paulo, por meio do projeto denominado “Digitalização do Acervo de História Oral do Museu da Cidade de São Paulo”, que visou a reprodução das fitas k7 originais e posterior guarda deste acervo em arquivos digitais, garantindo sua preservação e permitindo o seu acesso e difusão. 
A partir da retomada dos mapeamentos e coletas de depoimentos esse acervo será ampliado dentro de suas linhas de pesquisa já existentes:

a. Memória e História do Cotidiano: com moradores de bairros já consolidados, que tematiza e coteja diversas histórias de vida e coletivas em relação às transformações sócio-urbanas no alcance local e no de toda cidade;

b. Memória e Movimentos Sociais: aborda a história da ação e organização dos chamados “movimentos populares”, frequentemente voltados ao encaminhamento de demandas por serviços e bens de uso coletivo e/ou relacionados à reprodução física da vida;

c. Memória de Migrantes: concentra-se na contribuição de indivíduos e grupos de migrantes na constituição da diversidade cultural da metrópole e indaga sobre suas trajetórias, formas de produção de suas identidades, práticas do cotidiano e no mundo do trabalho, assim como os sentidos de pertencimento à cidade;

e. Memória Étnica:  aborda a contribuição de grupos étnicos na formação da identidade e territorialidade da cidade de São Paulo.

DOCUMENTAL

Agrega a massa documental que registra a história do Museu e de seus acervos, a partir de 1975, por meio dos registros documentais, além de registros hemerográficos (jornais e periódicos) que comprovam as atividades museológicas e culturais empreendidas pelo seu corpo funcional. Esse acervo, que reúne 41,25 metros lineares de documentação, está acondicionado no Centro de Documentação do Museu da Cidade de São Paulo e se divide em dois grandes segmentos:

a. Gestão Institucional: composto por registros documentais e legislações referentes às atividades administrativas que auxiliaram e viabilizaram o desempenho das atividades museológicas do Museu, ao longo de sua trajetória

b. Museográfico: compreende a massa documental que armazena registros das exposições, ações educativas, manutenção física de seus bens imóveis e demais ações museológicas realizadas nas unidades do Museu, ao longo de sua trajetória. Também agrega uma série específica que contempla a preservação dos livros de visitantes de diferentes períodos da instituição.

BIBLIOGRÁFICO

Reúne a produção bibliográfica da instituição, obras relacionadas à Museologia e assuntos relativos à vocação das unidades, acervos, ações e pesquisas do e sobre o Museu da Cidade de São Paulo. Está em fase de reorganização e, por isso, o acesso público é restrito. Sua reestruturação está priorizando as seguintes coleções:

a. Memória Institucional: produção institucional que inclui catálogos de exposições, periódicos e relatórios; produção técnico científica própria ou de terceiros resultante de pesquisas nos acervos do Museu da Cidade de São Paulo; publicações acadêmicas e técnico científicas que tenham como tema o Museu, suas unidades e seus acervos;  publicações que contenham reproduções de itens dos acervos do MCSP.

b.  Museologia: considerando as especificidades da área e atentando-se para o assunto museu de cidade formando assim um acervo especializado na área.

c. Áreas Correlatas: assuntos relacionados à vocação das unidades, acervos e atribuições do Museu  (história, geografia, arte, fotografia e cultura da cidade de São Paulo;  processo de ocupação e desenvolvimento dos bairros no entorno das unidades; produção fotográfica paulistana; patrimônio cultural paulistano, população indígena; população afrodescendente;  arquitetura).

É objetivo do Museu o diálogo entre esses acervos a fim de atender a sua missão institucional, focando sempre a memória, e as discussões sobre a contemporaneidade e o futuro da cidade de São Paulo. É desejável, ainda, que esse diálogo seja efetivado através de distintas ações culturais, tais como: exposições, ações educativas, publicações, intervenções artísticas, incluindo-se o empréstimo de acervos a outras instituições congêneres.