NOSSOS ACERVOS

São atribuições próprias do Museu da Cidade de São Paulo promover a reflexão contínua das dinâmicas de construção da cidade física e simbólica, retratar sua diversidade cultural e registrar a memória de sua população. Nessa perspectiva, além da própria cidade ser compreendida como seu principal acervo operacional, o Museu possui ainda cinco tipologias de acervos museológicos:

  • Arquitetônico: composto por 14 edificações e um logradouro histórico distribuídos em diferentes regiões do município;
  • Bens móveis e históricos: reúne cerca de 800 peças entre móveis, utensílios domésticos, ferramentas e oratórios cuja origem está relacionada às atividades de comemoração do IV Centenário da cidade (1954);
  • Fotográfico: registra aspectos das transformações urbanas na cidade de São Paulo a partir do final do século XIX;
  • História oral: reúne mais de 574 fitas cassetes originais produzidas por meio de entrevistas nas “oficinas de memória” visando preservar a história da cidade.
  • Documental: agrega a massa documental que registra a história do museu, bem como de seus outros acervos museológicos.

É objetivo do Museu da Cidade de São Paulo o diálogo entre esses acervos a fim de atender a sua missão institucional, focando sempre a memória, e as discussões sobre a contemporaneidade e o futuro da cidade de São Paulo. É desejável que esse diálogo seja efetivado através de distintas ações culturais, tais como: exposições, ações educativas, publicações, intervenções artísticas, incluindo-se o empréstimo de acervos a outras instituições congêneres.

ACERVO ARQUITETÔNICO

O Museu da Cidade de São Paulo está localizado em imóveis de interesse histórico e arquitetônico, espalhados por vários bairros da capital. Vistos como elos de uma grande coleção de arquitetura, os locais eternizam diferentes etapas da cultura e das construções paulistanas, em uma trajetória que vai do século 17 ao 20. 

A criação desse acervo está intimamente ligada ao IV Centenário da cidade de São Paulo, ocorrido em 1954 com o restauro da Casa do Bandeirante, localizada no bairro do Butantã, e consequente abertura para visitação no ano de 1955. Sua construção remonta ao fim do século 17, tendo como técnica construtiva a taipa de pilão e pau-a-pique, com cobertura em quatro águas. 

Em sequência, foram recuperados outros imóveis de mesma tipologia construtiva, como a Casa do Sertanista (situada no bairro Caxingui) e a Casa do Grito (posicionada no Parque da Independência – Ipiranga).

Essa herança composta pelos quatro artefatos histórico-arquitetônicos veio acompanhada por exposições e acervos que se encontravam em alguns desses imóveis: o cenário bandeirante, inaugurado em 1955; o cenário tropeiro, montado em 1958, para a Casa do Grito; e a mostra devotada ao ciclo do ouro e cultura indígenas, aberta ao público em 1970, na Casa do Sertanista. 

Posteriormente, já na década de 1980 passam a incorporar a rede de edificações históricas a Casa do Tatuapé (localizada no bairro que dá nome ao imóvel), a Capela do Morumbi e o Sítio da Ressaca (situado no bairro do Jabaquara). 

Também faz parte da rede de casas e espaços históricos do Museu da Cidade de São Paulo o Solar da Marquesa de Santos, estrutura construída por volta da segunda metade do século 18 em taipa de pilão e residência de Domitila de Castro Canto e Melo, moradora que dá nome à edificação. Posteriormente teve outros usos como sede da Mitra Diocesana, Companhia de Gás de São Paulo e Secretaria Municipal de Cultura. 

Junto ao Solar, na região central, também estão agregados a Casa Nº 1 e o Beco do Pinto. A primeira se constitui num chalé urbano construído da segunda metade do século 19 e que recebeu esta denominação por ter sido construído na antiga rua do Carmo nº 1. Já o Beco é um logradouro histórico situado entre o Solar da Marquesa e a Casa nº 1 e fazia a ligação entre a rua do Carmo (hoje Roberto Simonsen) e a várzea do rio Tamanduateí.

Por fim, compõem essa estrutura polinucleada a casa do Sítio Morrinhos (localizado no Jardim São Bento); a Chácara Lane (Consolação); a Cripta Imperial (Parque da Independência – Ipiranga), onde estão sepultados os restos mortais de D. Pedro I e das imperatrizes Maria Leopoldina e Amélia Augusta; o Pavilhão Lucas Nogueira Garcez – Oca (no Parque do Ibirapuera); e a Casa Modernista (situada na Vila Mariana).

Abaixo você pode conhecer mais sobre a história e vocação de cada uma dessas unidades.

ACERVO DE BENS MÓVEIS HISTÓRICOS

Composto por cerca de 800 peças em diversos suportes, como: madeira, couro, barro, porcelana, tecido, fibra vegetal, vidro, papel e metal. A origem da coleção também está ligada às atividades de comemoração do IV Centenário da cidade de São Paulo, em 1954. Nessa ocasião, a Comissão promoveu o recolhimento de móveis e alfaias em regiões do interior de São Paulo e Minas Gerais, principalmente no Vale do Paraíba. Os objetos foram adquiridos por meio de compra, doação ou custódia.

Nessa época foram reunidos centenas de peças de mobiliário, ferramentas, utensílios domésticos, imagens sacras e outros objetos que passaram a compor a expografia de imóveis rurais de taipa remanescentes dos séculos 17, 18 e 19, como a Casa do Bandeirante, Casa do Sertanista e a Casa do Grito, restauradas com a finalidade de reconstituir o ambiente de um possível sítio paulista setecentista ou a habitação de um suposto bandeirante, como exposição comemorativa do IV Centenário de São Paulo da Casa do Bandeirante; o cenário tropeiro, montado em 1958, para a Casa do Grito; e a mostra devotada ao ciclo do ouro e cultura indígenas, aberta ao público em 1970, na Casa do Sertanista. 

ACERVO FOTOGRÁFICO

O Museu da Cidade de São Paulo possui um acervo fotográfico de grande valor histórico e documental, formado desde 1935, quando Mário de Andrade criou o Departamento de Cultura. Retrata predominantemente a cidade de São Paulo e suas transformações urbanas nos últimos 150 anos. 

O conjunto de imagens foi tratado inicialmente pelo fotógrafo Benedito Junqueira Duarte que implantou técnicas de identificação, catalogação e indexação, as quais por muito tempo nortearam toda a organização do acervo. Rapidamente esse acervo passou a ser utilizado para consulta, inicialmente por técnicos da prefeitura e depois pelo público em geral para pesquisas dos mais variados enfoques sobre a cidade de São Paulo. O acervo é constituído pelas seguintes coleções:

Coleção Original

Teve início com um conjunto de aproximadamente 2000 imagens fotográficas do centro velho da cidade datadas de 1860 a 1920. O suporte dessas imagens são negativos fotográficos em vidro emulsionado, em diversos tamanhos, como: 18x24cm; 13x18cm etc.

Coleção Departamento de Cultura

Simultaneamente a esse conjunto de fotografias mais antigas, somaram-se a esse acervo a produção fotográfica que documentava as atividades e projetos do Departamento de Cultura e da própria prefeitura, como: parques infantis; construção do Estádio do Pacaembu e da Biblioteca Mário de Andrade, abertura da Avenida Nove de Julho, retificação do Rio Tietê, construção de pontes, viadutos e complexos viários entre outros. São aproximadamente 20.000 imagens.

Demais coleções

O acervo também foi enriquecido pela compra ou doação de coleções fotográficas que retratam diversas épocas e assuntos. Essas coleções constituem imagens nos mais variados suportes: papel, vidro, plásticos, além de álbuns e materiais impressos, nos mais diversos formatos. São elas:

  • Coleção Becherini: produzida pelo estúdio da família de mesmo nome, retrata a cidade no período de 1910 a 1950.
  • Coleção Ivo Justino: documenta obras realizadas na cidade no período de 1966 a 1971.
  • Coleção Marília Azevedo: produzida pelo fotógrafo Guilherme Gaensly no início do século passado.
  • Coleção Expedição São Paulo 450 anos – uma viagem pela metrópole: mais de 7.000 fotos que documentam a expedição realizada em 2004 pela cidade de São Paulo (eixos Norte/Sul e Leste/Oeste), com a participação de pesquisadores de diversas áreas do conhecimento que produziram relatórios de observação sobre os bairros percorridos pelo projeto.

Esse acervo está digitalizado, praticamente em sua totalidade, e disponível para acesso e pesquisa no Portal Acervos da Secretaria Municipal de Cultura. Clique aqui para acessar.

ACERVO DE HISTÓRIA ORAL

Os projetos de memória, feitos com trabalhos de História Oral, desde o final da década de 1970, foram originalmente concebidos como parte de uma ação cultural voltada à produção de memórias da cidade, envolvendo a história sobre os seus sujeitos formadores, como instrumento de afirmação social, as memórias de segmentos silenciados e/ou excluídos da fabricação de uma história e de uma memória já enraizadas sobre a metrópole.

A formação desse acervo reconhece que todos os cidadãos paulistanos produzem cultura e que cada um tem uma forma diferente de se expressar,  permitindo que uma visão mais ampla do processo histórico-cultural da cidade.

Recentemente o museu foi contemplado no Edital ProAC – Preservação de Acervos (2016), da Secretaria de Estado de Cultura de São Paulo, por meio do projeto denominado “Digitalização do Acervo de História Oral do Museu da Cidade de São Paulo”, que visou a reprodução de 574 fitas k7 originais e posterior guarda deste acervo em arquivos digitais, garantindo sua preservação e permitindo o seu acesso e difusão. 

Esse acervo está subdividido em cinco grandes linhas temáticas de intervenção:

Memória e Processo de Trabalho: versa a respeito da formação de um sujeito coletivo no contexto do trabalho industrial e focaliza os imaginários sobre suas histórias, as relações internas e perante outros sujeitos, bem como suas lutas sociais;

Memória e História do Cotidiano: com moradores de bairros já consolidados, que tematiza e coteja diversas histórias de vida e coletivas em relação às transformações sócio-urbanas no alcance local e no de toda cidade;

Memória e Movimentos Sociais: aborda a história da ação e organização dos chamados “movimentos populares”, frequentemente voltados ao encaminhamento de demandas por serviços e bens de uso coletivo e/ou relacionados à reprodução física da vida;

Memória de Migrantes: concentra-se na contribuição de indivíduos e grupos de migrantes na constituição da diversidade cultural da metrópole e indaga sobre suas trajetórias, formas de produção de suas identidades, práticas do cotidiano e no mundo do trabalho, assim como os sentidos de pertencimento à cidade;

Memória Étnica – ME:  aborda a contribuição de grupos étnicos na formação da identidade e territorialidade da cidade de São Paulo.

Os principais projetos realizados, ao longo desse período, foram:

  • Memória Jabaquara (1989)
  • Movimento de Saúde da Zona Leste (1990)
  • Memória Fabril (1990)
  • Memória Fabril – Perus (1991-92)
  • Movimento de Moradia São Marcos (1991-92)
  • Movimento de Moradia Heliópolis (1991-92)
  • Movimento de Saúde da Zona Sul (1991-92)
  • São Paulo no IV Centenário (1993-94)
  • Migrantes do Jardim Elba (1994-95)
  • Vila Maria Zélia (1997-98)
  • Jardim da Luz: Usos e Sentidos (1998)
  • Lajeado – Começar de Novo (2001)
  • Presença Indígena na Cidade de São Paulo (2002)

ACERVO DOCUMENTAL

Esse acervo reúne diferentes fundos arquivísticos que registram o percurso histórico do Museu da Cidade de São Paulo; da formação de suas distintas coleções, das atividades culturais desenvolvidas e das intervenções visando à recuperação e preservação dos exemplares arquitetônicos do museu.

Este conjunto arquivístico constitui-se ainda como um retrato histórico das transformações no campo do fazer museológico desde os anos de 1970, até os dias atuais. A partir de 2018 essa massa documental foi organizada, higienizada e reunida num único local, o Centro de Documentação do Museu da Cidade de São Paulo (Cedoc), localizado no Solar da Marquesa de Santos, sede do Museu da Cidade.

Além do acervo documental, o Cedoc também abriga acervos bibliográfico e hemerográfico sobre a cidade de São Paulo.