ACERVOS

MUSEOLOGIA E ACERVO

O Museu da Cidade de São Paulo possui cinco acervos distintos: o acervo edificado composto pelos imóveis e um logradouro históricos; o acervo fotográfico; o acervo de bens móveis e históricos; o acervo de história oral; e o acervo documental, conforme se detalha abaixo:

  • Arquitetônico – composto por 14 edificações e um logradouro históricos;
  • Fotográfico – registra aspectos das transformações urbanas na cidade de São Paulo a partir do final do século XIX;
  • Bens móveis e históricos – composto por cerca de 800 peças entre móveis, utensílios domésticos, ferramentas e oratórios cuja origem está relacionada às atividades de comemoração do IV Centenário da cidade.
  • História oral – reúne mais de 574 fitas cassetes originais produzidas por meio de entrevistas nas “oficinas de memória” visando preservar a história da cidade.
  • Documental – agrega a massa documental que registra a história do museu, bem como de seus outros acervos museológicos.

É objetivo do Museu da Cidade o diálogo entre esses acervos a fim de atender a sua missão institucional, focando sempre a memória e história da cidade de São Paulo. É prioridade do Museu que esse diálogo seja efetivado através distintas ações culturais, tais como: exposições, ações educativas, publicações, intervenções artísticas, incluindo-se o empréstimo de acervos a outras instituições congêneres.

ACERVOS

  1. Acervo Arquitetônico

A criação do acervo arquitetônico do MCSP está intimamente ligada ao IV Centenário da cidade de São Paulo. Nessa ocasião o clima era de orgulho em viver na cidade que chegara a ser a terceira maior da América Latina, ultrapassando em número a própria capital, o Rio de Janeiro e tornava-se o centro econômico daquele momento próspero do país.

A elite industrial paulistana, cada vez mais influente, tentando se afirmar no cenário nacional, desejava que o evento dos 400 anos da cidade “embasbacasse o mundo e assombrasse o país”, segundo Ciccillo Matarazzo, que fazia parte da comissão da comemoração.

Tentando “resgatar a identidade do verdadeiro paulista, que teria sido deturpada pelas levas de imigrantes do fim do século XIX”, os intelectuais desse movimento ressuscitaram a figura do bandeirante. Através da recuperação e restauro de um conjunto de casas da época das bandeiras, foi possível reconstituir o cotidiano dessa figura polêmica e histórica.

O primeiro exemplar a ser restaurado foi a Casa do Butantã, que em outubro de 1955 foi inaugurada como museu Casa do Bandeirante com a exposição intitulada “Ensaio de recomposição do ambiente rural doméstico de primórdios do século XVIII”. Esse restauro deu-se em parceria entre o Departamento do Patrimônio Histórico (DPH) e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e, desde então, a Casa do Bandeirante pertence à Secretaria da Cultura de São Paulo, sendo posteriormente vinculada à estrutura de casas históricas do Museu da Cidade de São Paulo. Em sequência, foram recuperados outros imóveis de mesma tipologia.

O Museu da Cidade de São Paulo foi criado em 1993 e hoje é administrado pelo Departamento de Museus da Secretaria Municipal de Cultura. Desde essa criação vem obtendo a guarda de alguns imóveis e logradouros exemplares de importantes momentos históricos da cidade. São eles:

  1. Acervo Fotográfico

O Museu da Cidade de São Paulo possui um acervo fotográfico de grande valor histórico e documental, formado desde 1935 quando Mário de Andrade criou o Departamento de Cultura. Retrata predominantemente a cidade de São Paulo e suas transformações urbanas nos últimos 145 anos. O conjunto de imagens foi tratado inicialmente pelo fotógrafo Benedito Junqueira Duarte que implantou técnicas de identificação, catalogação e indexação, as quais por muito tempo nortearam toda a organização do acervo. Rapidamente esse acervo passou a ser utilizado para consulta, inicialmente por técnicos da prefeitura e depois pelo público em geral para pesquisas dos mais variados enfoques sobre a cidade de São Paulo.

O acervo é constituído por:

Coleção Original

Teve início com um conjunto de aproximadamente 2000 imagens fotográficas do centro velho da cidade datadas de 1860 a 1920. O suporte dessas imagens são negativos fotográficos em vidro emulsionado, em diversos tamanhos, como: 18x24cm; 13x18cm etc.

Coleção Departamento de Cultura

Simultaneamente a esse conjunto de fotografias mais antigas, somaram-se a esse acervo a produção fotográfica que documentava as atividades e projetos do Departamento e da própria prefeitura, como: parques infantis; construção do Estádio do Pacaembu e da Biblioteca Mário de Andrade, abertura da Avenida Nove de Julho, retificação do Rio Tietê, construção de pontes, viadutos e complexos viários entre outros. São aproximadamente 20.000 imagens.

Demais coleções

O acervo também foi enriquecido pela compra ou doação de coleções fotográficas que retratam diversas épocas e assuntos. Essas coleções constituem imagens nos mais variados suportes: papel, vidro, plásticos, além de álbuns e materiais impressos, nos mais diversos formatos. São elas:

  • Coleção Becherini: produzida pelo estúdio da família de mesmo nome, retrata a cidade no período de 1910 a 1950.
  • Coleção Ivo Justino: documenta obras realizadas na cidade no período de 1966 a 1971.
  • Coleção Marília Azevedo: produzida pelo fotógrafo Guilherme Gaensly no início do século passado.
  • Coleção Expedição São Paulo 450 anos uma Viagem pela Metrópole: mais de 7.000 fotos que documentam a expedição realizada em janeiro de 2004 pela cidade de São Paulo, com a participação de pesquisadores das áreas de museologia, antropologia, sociologia, fotografia, saúde, educação, geografia, etnomusicologia, história, meio ambiente, arquitetura, arqueologia, artes plástica e arte educação.
  1. Acervo Bens Móveis Históricos

A Coleção de Bens Móveis Históricos é composta por cerca de 800 peças em diversos suportes, como: madeira, couro, barro, porcelana, tecido, fibra vegetal, vidro, papel e metal.

A origem da coleção está ligada às atividades de comemoração do IV Centenário da cidade de São Paulo, em 1954. Nessa ocasião, a Comissão promoveu o recolhimento de móveis e alfaias em regiões do interior de São Paulo e Minas Gerais, principalmente no Vale do Paraíba. Os objetos foram adquiridos por meio de compra, doação ou custódia.

Na ocasião foram reunidos centenas de peças de mobiliário, ferramentas, utensílios domésticos, imagens sacras e outros objetos que passaram a compor a expografia de imóveis rurais de taipa remanescentes dos séculos XVII, XVIII e XIX, como a Casa do Bandeirante e a Casa do Grito, restauradas com a finalidade de reconstituir o ambiente de um possível sítio paulista setecentista ou a habitação de um suposto bandeirante.

  1. Acervo História Oral

Os projetos de memória, feitos com trabalhos de História Oral, desde o final da década de 1970, foram originalmente concebidos como parte de uma ação cultural voltada à produção de memórias da cidade, envolvendo a história sobre os seus sujeitos formadores, como instrumento de afirmação social, as memórias de segmentos silenciados e/ou excluídos da fabricação de uma história e de uma memória já enraizadas sobre a metrópole.

Recentemente o museu foi contemplado no Edital ProAC – Preservação de Acervos (2016), da Secretaria de Estado de Cultura de São Paulo, por meio do projeto denominado “Digitalização do Acervo de História Oral do Museu da Cidade de São Paulo”, que visa a reprodução de 574 fitas k7 originais e posterior guarda deste acervo em arquivos digitais, garantindo sua preservação e permitindo o seu acesso e difusão. Após o desenvolvimento do projeto, previsto para ocorrer durante o ano de 2017, o MCSP poderá empreender ações de documentação e pesquisa sobre o material; desenvolver ações de extroversão (como exposições e publicações); e dar acesso pleno a pesquisadores e consulentes.

O acervo, mantido pelo setor de História Oral, está subdividido em cinco grandes linhas temáticas de intervenção:

Memória e Processo de Trabalho – MPT, que versa a respeito da formação de um sujeito coletivo no contexto do trabalho industrial e focaliza os imaginários sobre suas histórias, as relações internas e perante outros sujeitos, bem como suas lutas sociais;

– Memória e História do Cotidiano – MHC, com moradores de bairros já consolidados, que tematiza e coteja diversas histórias de vida e coletivas em relação às transformações sócio-urbanas no alcance local e no de toda cidade;

– Memória e Movimentos Sociais – MMS, que aborda a história da ação e organização dos chamados “movimentos populares”, frequentemente voltados ao encaminhamento de demandas por serviços e bens de uso coletivo e/ou relacionados à reprodução física da vida;

– Memória de Migrantes – MM, que se concentra na contribuição de indivíduos e grupos de migrantes na constituição da diversidade cultural da metrópole e indaga sobre suas trajetórias, formas de produção de suas identidades, práticas do cotidiano e no mundo do trabalho, assim como os sentidos de pertencimento à cidade;

Memória Étnica – ME, aborda a contribuição de grupos étnicos na formação da identidade e territorialidade da cidade de São Paulo.

Dentre as linhas de pesquisa e eixos temáticos o Núcleo de História Oral desenvolveu os principais projetos realizados, ao longo desse período, foram:

  • Jabaquara (1989)
  • Movimento de Saúde da Zona Leste (1990)
  • Memória Fabril (1990)
  • Memória Fabril – Perus (1991-92)
  • Movimento de Moradia São Marcos (1991-92)
  • Movimento de Moradia Heliópolis (1991-92)
  • Movimento de Saúde da Zona Sul (1991-92)
  • São Paulo no IV Centenário (1993-94)
  • Migrantes do Jardim Elba (1994-95)
  • Vila Maria Zélia (1997-98)
  • Jardim da Luz: Usos e Sentidos (1998)
  • Lajeado – Começar de Novo (2001)
  • Presença Indígena na Cidade de São Paulo (2002)
  1. Acervo Documental

Esse acervo reúne diferentes fundos arquivísticos que registram o percurso histórico do Museu da Cidade de São Paulo; da formação de suas distintas coleções, das atividades culturais desenvolvidas e das intervenções visando a recuperação e preservação dos exemplares arquitetônicos do museu.

A partir de 2018 essa massa documental foi organizada, higienizada e reunida num único local, o Centro de Documentação do MCSP (Cedoc), localizado no Solar da Marquesa de Santos, sede do Museu da Cidade.

Além disso, o Cedoc também abriga acervos bibliográfico, hemerográfico sobre a cidade de São Paulo.

NORMATIZAÇÃO MUSEOLÓGICA

Cabe ao Núcleo de Museologia e Acervos do MCSP a implantação de normatizações que visem a regularização das ações a serem executadas.

Dentre as ações estão:

  • conhecer e aplicar a legislação e normatizações vigentes para o setor museológico brasileiro;
  • administrar tecnicamente as reservas técnicas, laboratórios de conservação e espaços de apoio técnico de conservação dos acervos do museu;
  • realizar os serviços de preparação, acondicionamento e gestão dos distintos acervos do museu, no intuito de garantir a sua preservação;
  • assessorar a Direção do Museu da Cidade de São Paulo nos assuntos pertinentes à Museologia;
  • manter atualizado o sistema de catalogação do acervo, buscando melhorias constantes em seus bancos de dados e integração com repositório Portal de Acervos Artísticos e Culturais da Prefeitura de São Paulo;
  • elaborar políticas e capacitação de técnicos em digitalização de documentos (textual, fotográfico e bibliográfico);
  • orientar e acompanhar a realização de projetos e intervenções no patrimônio edificado do Museu;
  • definir e implementar, em conjunto com os demais setores, normas de segurança aprovadas pela legislação vigente, para a proteção e salvaguarda do Museu, de seu acervo, de seu público, e sua equipe profissional;
  • planejar e executar, em conjunto com os demais setores, ações de capacitação e sensibilização do corpo técnico do Museu quanto às normatizações e posturas adequadas para o desenvolvimento das diferentes atividades do MCSP;
  • elaborar relatórios técnicos com informações sobre condições do acervo a ser exibido ou cedido, por empréstimo, a outras exposições e submeter à Comissão de Acervos do MCSP;
  • supervisionar estágios curriculares.

Essas ações visam acima de tudo a preservação da informação dos acervos, adotadas por meio de procedimentos museológicos facilitando inclusive a extroversão desses bens culturais, não somente de forma interna, mas também para maior democratização do acesso as coleções da Instituição.

POLÍTICA DE AQUISIÇÃO E DESCARTE

Em 2016 o Museu da Cidade deu um passo importante no que diz respeito a Política de Aquisição de Descarte de obras nos seus acervos. Criado através da Portaria de número 059/2016 – SMC.G, a Política de Aquisições e Descartes normatiza questões relacionadas à aquisição, empréstimo e descarte de acervos museológicos. No mesmo período também foi estabelecida a Comissão de Acervos, formada por servidores de diferentes setores do museu, que irá pautar suas decisões a partir do que está estabelecido na Política.

EMPRÉSTIMO E CONSULTAS DOS ACERVOS DO MUSEU

Entre os anos de 2007 e 2011 a Secretaria de Cultura criou uma equipe interdisciplinar com o objetivo da implantação do Portal de Acervos da Cidade, plataforma única que possibilita pesquisa de Coleções Municipais através da rede, tais como: fotografia, catálogos de arte, figurinos e programas de espetáculos do Teatro Municipal, partituras, obras de arte entre outros. Atualmente boa parte dos acervos do Museu da Cidade de São Paulo está disponível para consulta.

Clique aqui para conhecer.

Atendimento ao público para acervo de fotografia

O atendimento à coleção de fotografias do Museu da Cidade de São Paulo está restrita às seguintes condições e procedimentos:

Consulta: O pesquisador pode fazer a consulta através do Portal de Acervos Artísticos e Culturais da Prefeitura de São Paulo, no site: www.acervosdacidade.prefeitura.sp.gov.br podendo realizar suas pesquisas, através do modo de pesquisa simples ou avançada para recuperação da imagem solicitada. Caso haja interesse na utilização de alguma imagem, seguir os passos abaixo:

Empréstimo: Para a autorização do uso das imagens é necessária a solicitação de um formulário no por meio do telefone (11) 3241-1081 – Ramal 151 ou pelo e-mail acervos.mcsp@prefeitura.sp.gov.br, para o qual são necessários o envio de documentos e a abertura de um expediente interno. Após a entrega dos documentos no Museu da Cidade de São Paulo, o trâmite é de até 10 dias. Tão logo seja publicado no Diário Oficial da Cidade de São Paulo, o pesquisador irá recolher uma taxa referente ao preço público ou a doação de bens e serviços no valor correspondente e assinar um Termo de Compromisso; neste momento passamos as imagens solicitadas em formato digital. Toda solicitação será submetida à avaliação de uma Comissão Interna para Avaliação de Solicitações de Imagens. As solicitações estão condicionadas às imagens digitais disponíveis em nosso banco de dados e em condições de empréstimo.

Entrega da imagem: Após a publicação da autorização no Diário Oficial da Cidade de São Paulo e pagamento de preço público, as imagens serão entregues ao solicitante, em alta resolução, para o uso especificado na solicitação inicial.

Mais informações: acervos.mcsp@prefeitura.sp.gov.br

Observações importantes:

  • Para empréstimo de obras dos demais acervos (bens móveis históricos e história oral), somente instituições museológicas poderão solicitar ao Museu da Cidade de São Paulo. A pesquisa também deve ser realizada no Portal de Acervos.
  • Para pesquisas e consultas do acervo documental e história oral, o pesquisador deverá agendar dia e horário para consulta no email: acervos.mcsp@prefeitura.sp.gov.br
  • Para cessão de espaço nas casas históricas, o interessado(a) deverá entrar em contato com a Direção do Museu da Cidade pelo email: museudacidade@prefeitura.sp.gov.br .